10 de maio de 2018

Os cinquenta e sete são os novos dezessete


 - Estou a fim de começar a cumprimentar as pessoas fazendo um Hang Loose, tipo assim “Fala aí!” e balançar a mão assim... O que você acha?
- Sério isso?
- Sério. O que você acha?
- Eu não sei, eu realmente... bom, você sabe que já passou dos cinquenta e...
- Não, mas esse negócio de idade não tem nada a ver. Passei dos cinquenta mas não muito. Tô com cinquenta e sete.
- Eu sei, eu sei... eu só fico admirado que uma pessoa dessa idade se preocupe com esse tipo de coisa.
- Você acha que eu tenho que me preocupar com o quê? Com a paz mundial?
- Não, não é isso. É que...
- Ah, você acha que, porque eu estou velho, eu tenho que me preocupar com asilo, aposentadoria, comprar um jazigo... Essas coisas?
- Tá bom, vai. Como que seria esse cumprimento?
- Assim ó (faz o Hang loose) “Wow hu”
- Acho que ‘Uhu’ é melhor, sem ‘woooow’... ‘Uhu’ mais seco.
- Uhu!
- Isso... Mas, não sei, cara, tá meio surfista.
- Ai sim! Cheguei no que eu queria. Estou pensando em pegar umas ondas.
- Em São Paulo?
- Não, eu tenho aquela casa no Boqueirão. Vou descer de fim de semana e pegar umas ondas.
- Tá tudo bem com você cara? Tá com crise da meia idade? o que que tá rolando?
- Que meia idade, nada. Os cinquenta e sete são os novos dezessete. Você que tá por fora com esse negócio de idade adequada. Hoje em dia não tem mais essa.
- Não sei, eu estou achando isso tudo meio...
- Relaxa. Vamos tomar um uísque com energético?
- Uisque com energético? Depois você vai querer cair na balada?
- Uhu!!! Vamos nessa!

9 de maio de 2018

A arte de dissecar o tomate


01.

Shipa, o guru de Oregon estava na cidade e ia dar uma palestra em um centro esotérico na Bela Vista. Tinha um cara no meu trabalho que era fã. Comprou ingresso um mês antes e falava diariamente que não via a hora de se encontrar com seu mestre. Acontece que Deus, esse maroto, mandou uma crise de vesícula pro coitado bem no dia do evento.

Incapacitado de ir, o moribundo me deu o ingresso.

Shipa era careca, tinha barba comprida, bronzeamento artificial e bata laranja. Era um guru clássico. Começou a palestra cheio de questionamentos.

“Onde está a vitamina da fruta?”
“Na casca!” respondeu um tentando ser menos óbvio.
“Não!”
“No fruto?” disse outro.
“Também não!”
“Na semente?” “No Cabo?” “naquela partinha que fica entre a fruta e a semente?...”
“Não! Vocês estão todos errados!”

E então ele responde pausadamente:

“A vitamina da fruta está na sua cabeça!”

Todos disseram: óóóó... Ele continuou

“E onde está a vitamina do alface?”

Ninguém ousou responder ele prosseguiu desafiador:
“Nas folhas? No Talo? Na áurea energética do vegetal? Não!!! Onde está a vitamina do alface?”

Como todo mundo que estava lá aprende rápido, responderam de pronto:
“Na nossa cabeça!”

E ele:
Yes! A vitamina está na nossa cabeça.

A palestra seguiu variando sobre o tema. Mas sempre com a mesma filosofia.

Na saída parei no balcão de um café ao lado de uma garota que também estava na palestra. Brinquei:
“Onde está a cafeína do café?... Na sua cabeça!!!”
Achei que ela ia rir, mas ela se virou pensativa com a nítida expressão de quem levava tudo aquilo muito a sério:
“ Genial esse guru, não?”

Mudei minha postura afinal, sou volúvel.
“Genial! Essa entronização da vitamina... só um cara muito elevado pra chegar nessa conclusão!”
“Você leu ‘onde está o glúten do seu pão?’”
“Não, não li, mas acredito que o glúten esteja na minha cabeça.”
“Exatamente. Na sua e na minha cabeça... Você precisa ler, é um livro muito revelador...”
“Imagino... Como você chama?”
“Mayara”

Continuei o papo sobre o nada com Mayara e trocamos celulares para mais encontros esotéricos.

02.
No dia seguinte fui visitar meu amigo no Hospital. A enfermeira alertou:
“Ele está um pouco sonolento por causa da cirurgia, mas você pode entrar...”
“Cirurgia?”
“Ah, sim, tivemos que retirar a vesícula... Nada grave.”

Entrei anunciando:

“Sabe onde está sua vesícula agora?... Na sua cabeça!”

Ele riu e em volta do riso estava sua cara de doente:
“Já vi que o Mestre Shipa ganhou mais um discípulo.”
“Que nada, rapaz... Puta picareta!”
“Não fale assim... É preciso ter a mente aberta pra entender o que ele fala.”
“Aberta e espaçosa porque tudo está dentro da nossa cabeça.”
“Tá vendo, você assimilou o principio do mestre, só precisa aceitar isso dentro de você.”
“ah, vai xaxar!’

Ele riu.

“E aí, gordo, você deve ter emagrecido uns dois quilos agora que tiraram sua vesícula...”
“ Não fala assim... Tô meio deprê com esse negócio, tiraram uma parte de mim sem me consultar.”
“Pra que serve a vesícula?”
“Sei lá, mas se está ali, alguma função deve ter.”
“Se tivesse função os médicos não tiravam. Os caras sabem o que fazem.”
“E o que será de mim sem vesícula?..”
“E o que será da sua vesícula sem você?”
“Pobrezinha... Ela dependia de mim!”
“Mais do que você dela... Acredito...”

E então o gordo entrou numa depressão maior ainda. Como fui eu quem piorou as coisas resolvi ir embora.

03.
Mayara me chamou pra uma meditação dentro de um ônibus. O piloto era um mestre yogue que dizia ter 158 anos. Fiquei meio apreensivo com a questão da carteira de habilitação e tudo mais... Na verdade fiquei pensando se o DETRAN estipulava uma idade limite pra dirigir. Não pesquisei, mas acredito que não. Uma vez habilitado, não importa se você tem mais de 150 anos, desde que esteja enxergando bem e que sua pressão bata em 12x8.

Nos encontramos às 18h num ponto da 23 de maio. O ônibus estava lá e o guru motorista aparentava ter muito mais que 158 anos. Fiquei um pouco preocupado... Abriu a porta:
“A meditação é cem reais.”
“Ah, tem que pagar?”
“Manter um ônibus desse porte custa dinheiro, meu caro.”

Convenhamos, o busão não era lá desse porte todo. Parecia um ônibus da CMTC, sem bancos e com uns colchonetes encardidos pregado no chão.

Pagamos e nos sentamos em posição de lótus em um dos colchonetes. Tinha mais alguns malucos em outros colchonetes, não muitos.

O Guru colocou uma fita cassete com um som da Enya (lembrem-se que o guru tinha mais de 150 anos) e arrancou. Aí começou a conduzir a meditação de maneira clássica:
“Vamos desconectar de todo o ambiente externo... Nesse momento vocês não estão no meio do rush da 23 de Maio... Agora comecem a imaginar que estão numa praia, ouçam o barulho do mar...”

O som da Enya até tinha um barulhinho de mar, só que o velhinho guiava, de fato, que nem velhinho. Ia acelerando e desacelerando o tempo todo como se tivesse pilotando uma máquina de costura. Chacoalhava tanto que parecia que estávamos em alto mar. Ele continuou:

“Agora vocês olhem para a luz do sol e deixe ela entrar na sua cabeça, nos seus olhos, nariz...”
Breve pausa e um grito.

“Vai, filha da puta, se quer entrar entra logo, não fica embaçando... fura fila do caralho!”

O trânsito da 23 era demais até para um mestre yogue de 158 anos.

Seguimos em duas horas de meditação. Intercalando praias, barulho de mar, buzinas, chacoalhadas e reclamações. Conseguimos andar da Liberdade ao Centro Cultural. Quando descemos Mayara perguntou:

“E aí, o que está sentindo?”
“Ah, me sinto um pouco calmo, um pouco estressado e um pouco idiota por pagar 100 pilas pra andar 500m.”
“Incrível como esse guru mexe com a cabeça da gente...”
“Inacreditável”

04.
O gordo teve alta e voltou a trabalhar. As meninas da recepção encheram a mesa dele de bexigas e escreveram numa cartolina “Bem-vindo de volta, gordo!” Foi legal da parte delas. Aquelas decoração toda dava um ar de festa do Mac Donalds na repartição.

O gordo chegou e o pessoal começou a cantar parabéns, jogar serpentina, confete... Entre nós, ele nem era tão querido no escritório. Não que fosse mau caráter, mas era o tipo que não cheirava nem fedia. De qualquer forma, foi assim que o recebemos no seu retorno a labuta.

A baia dele ficava do lado da minha. Ele sentou e percebi que tinha um pote de Helmmans desses de 500ml.

“O que é isso, gordo?”
“Minha Vesícula.”
“Você tá de sacanagem!”
“Sério... Não vou abandonar uma parte de mim.”
“Tá, mas num pote de maionese?”
“É o que eu tinha em casa.”
“E tá mergulhado em que? Etér?”
“Não. Tiner.”
“Hãn?”
“Tiner.”
“Tiner, solvente tiner?”
“É, é o que eu tinha em casa.”
“Você é um cara que sabe se virar com o que tá em casa, hein?”
“A gente tenta...”

E a vesícula boiando no tiner ficou ali, em cima da mesa, do lado do de um porta copo enfeitado com palito de sorvete escrito “Papai, te amo.”

“Ei, gordo, você tá sabendo que hoje vai rolar uma sessão de cinema do primeiro filme dirigido por extraterrestres no planeta?”
“Sério, onde?”
“No Portal da Casa dos Quatro Sois... Conhece.”
“Conhecer eu conheço, mas não sabia que você se interessava pelo assunto.”
“Não me interesso, mas tenho uma amiga que curte... Tá a fim de ir?”
“Claro!”


05.

O Portal da Casa dos Quatro Sois tinha uma coisa curiosa: cinco sois pintados no teto. Quando perguntei pra Mayara porque tinha um sol a mais ela respondeu que o sol do meio era o nosso sol e os outro quatro eram os quatro sois da casa.

“Ah, entendi.”

Antes do filme começar uma senhora que se apresentou como sendo a orientanda do terceiro sol ( que me fez deduzir que naquela casa tinham quatro orientandos) explicou a produção do filme. Segundo ela todo o recurso de produção, uma quantia de quase dois milhões, foi captada através de crowdfunding, a famosa vaquinha virtual (uau, hein!). Foi todo filmado na Juréia pelos seres de outro planeta. Segundo ela, no final da apresentação o diretor, que estava ali se preparando, iria comentar o filme. Ficamos excitados: “O ET, o ET!!!! O ET vai vir explicar o filme pra nós, pobres terráqueos!!!!”

E a sessão começou. Foram aproximadamente duas horas e meia de tomadas com enquadramentos duvidosos de praias e árvores e uma narração ao fundo, ininteligível, feita digitando texto no Google Translate e  apertando o botão de ‘como se fala’.

E chegou o momento tão esperado: O ET iria aparecer na nossa frente e explicar aquela bosta toda. Suspense, e então aparece um sujeito com uma camisa puída, calça Jeans e um máscara de monstro.  A orientanda do terceiro sol explica:

“Agora nosso irmão Hamilton vai canalizar uma mensagem dos nossos amados seres de luz.”

Todo mundo fingiu que estava tudo bem, mas senti uma decepção no ar. O Irmão Hamilton começou:

“Queridos, nós os Arcturianos queremos trazer uma mensagem de alerta a todo o povo da terra.  Estamos vivendo uma fase de transição onde a terra será acolhida por outras civilizações e...”

Bom, a partir daí parei de prestar atenção no texto e fiquei me divertindo com aquele senhor de máscara de carnaval levando aquilo tudo muito a sério.

Saímos de lá mudos. Até que Gordo quebra o silêncio.
“Há tanta coisa que está fora do nosso entendimento...”
Mayara concordou com a cabeça e senti que ela ia mandar o clichezaço do Shakespeare: “Há mais mistérios...” Cortei no ato:

“A gente podia bater uma pizza, né?”

Mas Mayara era vegana crudicista e o gordo, coitado, não tinha mais vesícula.
Resolvemos ir cada um pra sua casa.
Foi, realmente, uma noite decepcionante.

06.
Sexta feira de feriado. Ligo a TV e Shipa, o guru de Oregon estava no programa da Fátima Bernardes. Ele perguntou:
“O Willian Bonner está onde agora? Está no Jornal Nacional? Está na sua casa? Está passeando com os trigêmeos?..”
A apresentadora titubeou:
“A essa hora, acho que ele está correndo na Lagoa.”
“Não, com certeza não está. Onde está William Bonner?”
Silêncio no estúdio. Gritei na minha sala: “Está na sua cabeça!!!!!!”
E ele respondeu pausadamente:
“Willian Bonner está na nossa cabeça.”
Quase acertei.

07.
Mayara e eu começamos a namorar, mas não transávamos. Tá certo, é uma informação desnecessária.

Mayara e eu começamos a namorar e ela me convenceu a abandonar o carro e comprar uma bicicleta. Foi a pior coisa que fiz. São Paulo só tem ladeira e vivo dois momentos de tensão, quando estou descendo, pego um pouco de embalo e fico com a nítida impressão de que vou morrer e quando subo a ladeira e não existe marcha que dê jeito. Tenho taquicardia, começo a suar na testa e brotam rodelas enormes embaixo do meu sovaco.

Trabalho a menos de um quilómetro de casa, o suficiente pra eu chegar no escritório parecendo um maratonista cruzando a linha de chegada.

Naquele dia eu cheguei e pediram pra aumentar o ar condicionado. Não contentes ainda pediram pro homem do ar pra borrifar aquele cheirinho eucalipto no filtro... O desodorante 48h não durou nem duas, pensei.

Naquele dia percebi que a vesícula do gordo estava perdendo a cor.
“Gordo, acho que sua vesícula está indo pro saco.”
“Eu sei. Já falei com um taxidermista e ele vai fazer uma jóia com ela.”
“Sério? Com aquela tecnologia que fizeram um diamante com o cabelo do Pelé?”
“ Não tô sabendo dessa, não.”
“Dá um google aí: diamante de cabelo do pelé”
“Não, mas não é nada disso. É um cara que transa uns arames faz umas paradas zen... Ele também empalha animais... Um artista, sabe.”
“Aí ele vai empalhar sua vesícula e transar uns arames nela?”
“É, mais ou menos isso.”
“Maneiro.”

08.
Tá ok, eu falei que a informação era desnecessária, mas tem umas curiosidades então vou contar. Outro dia eu comentei com Mayara sobre o fato de não transarmos e ela disse que não gostaria de ter relações com uma pessoa que se alimenta de cadáveres. Demorei alguns segundos pra entender que era porque eu comia carne e esse tempinho a mais me deixou sem resposta. Perdi o time. Poderia ter respondido um monte de coisas, mas disse apenas: tá bom.

Mentira, eu não poderia ter respondido um monte de coisas. Nem sei o que responderia se ela me falasse agora.

09.
Gordo chegou todo afobado na minha baia.
“Cara, você não sabe!”
“O que?”
“Sabe o Irmão Hamilton?”
“O ET?”
“ET não, o orientando do Primeiro Sol. Ele é o único que consegue canalizar mensagens dos Arcturianos”
“Tudo bem. Sei. Que que tem?”
“Que  tem que ele trabalha aqui!” e apontou pra baixo. Eu sabia muito bem o que tinha lá embaixo.
“Corretor de seguros!!! O ET é um corretor de seguros?”
“Sim, acredita? O Orientando do primeiro sol trabalha bem aqui embaixo!”
“Gordo, raciocinemos... Sem querer tirar suas ilusões. A casa dos quatro sois, pelo que eu saquei é dirigida por quatro orientando, certo?”
“Certo.”
“Os quatro arrecadaram dois milhões pra fazer um filme que não custou nem mil reais. Pensa, cara, cada orientando do sol enfiou no bolso quinhentão... Capaz ainda do Miltinho ter embolsado mais porque ele é o primeiro... Me explica, se eles faturam tanto com esse negócio de ET, pra que que o cara quer trabalhar com corretagem?”
“Com certeza é alguma manifestação Karmica.”
“Pode até ser...”

10.
Fiquei com essa história na cabeça até que desenvolvi uma teoria. Contei pra Mayara:
“Olha só: na estreia do filme tinham quantas pessoas, umas 20, 30...”
“Por aí”
“Pois é. Você sabe como funcionam essas vaquinhas eletrônicas? Cada um vai lá e deposita dez, vinte paus e tem direito a ganhar um ingresso... Se eles arrecadaram dois milhões quer dizer que mais de 100 mil pessoas ganharam entrada. Será possível que noventa e nove mil novecentos e setenta pessoas pagaram pra rodar o filme e não se interessaram em ver o resultado?”
“hum”
“O que eu quero dizer é que, com certeza o corretor Hamilton, mais conhecido como orientando do primeiro sol, deu algum golpe no seguro, ou sei lá, fez alguma maracutaia, e lavou o dinheiro com esse negócio do filme.”

Mayara olhou pra mim por alguns segundo e se limitou a responder:

“Como você é mundano.”

Pensei três coisas a esse respeito: 01 – Essa menina fuma um, não é possível. 02 – Além de devorador de cadáveres sou mundano. Agora que essa mina não vai dar pra mim de jeito nenhum. 03. Onde estão os dois milhões que foram arrecadados pro filme? Estão na minha cabeça!

11.
Fui na feira e vocês não acreditam quem eu encontrei comendo um pastel não sei de quê. Ele mesmo, Shipa, o guru de Óregon. Não resisti e fui falar com ele.
“E aí, guru, ainda por aqui? Não voltou pra Óregon.”
“Olá” ele disse. Só isso. Não respondeu minha pergunta.
“Olá... Eu fui numa palestra sua.”
“Sabia atitude.”
“Guru, eu queria compartilhar uma coisa que meditei muito e acho que compreendi.”
“Pode se expressar.”
“Na verdade, eu acho que Óregon está só na sua cabeça. Você nasceu mesmo Foi na Vila Sônia. Tô certo?”
“Isso, meu bom amigo, é uma questão de ponto de vista. Entenda, estamos em comunhão agora, estamos envolvidos no mesmo assunto, no entanto, eu estou olhando o seu rosto, e por detrás do seu rosto vejo uma barraca de pastéis. Você, possivelmente está vendo o meu rosto e uma barraca de caldo de cana. Certo?”
“Certo.”
“Mas se você virar o seu rosto um pouquinho pra direita e eu for um pouquinho pra lá também, você vai ver o meu rosto e também vai ver uma barraca de pastel. Entende? Eu e você estaremos vendo barracas de pastel, mas não são as mesmas barracas de pastel. Que conclusão chegamos disso?”
“Que a feira tem duas barracas de pastel?”
“Não, que eu, você e as barracas de pastel estão na nossa cabeça.”
“Eu tive uma leve impressão que sua teoria iria terminar dessa forma.”
“O que indica que estas virando um sábio. Parabéns.”
“Esse pastel que você está comendo é de carne?”
“Carne com queijo.”
“ E você não liga de estar se alimentando de cadáveres.”
“Não penso nisso. Eu apenas como.”
“Entendo.”
“ Se não se importar...”
“Não, tudo bem. Foi um prazer conversar com o senhor.”
“Pode me chamar só de guru.”
“Foi um prazer conversar com o guru.”
Ele virou as coisas e saiu puxando um carrinho com as rodas ridiculamente alinhadas.


12
Mayara ia fazer o jantar então levei um monte de tomates. O cardápio era tomate recheado com grãos germinados. Tudo devidamente vegano e cru. Mayara, como já disse era vegana crudicista.

Pensei em falar sobre meu encontro com o guru mas deixei pra lá. Encostei na porta e fiquei vendo ela abrir os tomates. Com uma faca pequena ela deslizava rente as sementes, retirando apenas as partes que ela realmente não ia aproveitar para o prato. Movimentos lentos e preciso. Quando prontos, as duas partes do tomate estavam exatamente do mesmo tamanho e com cavidades perfeitas. Uma obra de arte.

“Você domina mesmo a arte de dissecar um tomate!”

Ela não respondeu, estava muito concentrada.

Naquele dia pensei que iriamos transar, mas não transamos.

10 de fevereiro de 2015

A múmia de Charles Manson


- Saca o Charles Manson?
- Saco.
- Você tá ligado que ele ia casar com uma mina de 27 anos?
- Não tô sabendo desse negócio, não... Mas o cara não tá preso?
- Tá preso e tem 80 anos! Vai vendo... A mina diz que era fã do cara, começaram a trocar cartas e tal e resolveram casar. Só que, na hora ‘H’, o velho desistiu.
- Tá tirando...
- Sério. Vai vendo... O cara descobriu que a mina tinha um plano pra embalsamar o corpo dele e cobrar a visitação, assim que ele morresse.
- O quê?
- É isso aí. A mina ia fazer tipo uma múmia do cara e cobrar um dólar pra quem quisesse ver.
- Você vê que bosta. O cara pode ser o psicopata sanguinolento que for. Depois de velho ninguém respeita mais.
- O jovem não tem respeito por nada...
- Por isso que eu bebo Underberg com 51 todo dia... Desse jeito,  não passo dos 60.
- Melhor coisa que você faz... Vou começar a tomar só Fogo Paulista, também.
- Vixi, aí eu não te dou mais nem dois anos.
- Fogo Paulista com gim ainda por cima.
- Seis meses no máximo.

6 de fevereiro de 2015

Isso não é um pedido de desculpas, é uma orelha


- Fui no MASP ontem. Quadro pra caramba. Tem até um Van Gogh, na fase que ele ainda tinha orelha...
- Que ele tinha a orelha na cabeça, você quer dizer. Porque, pelo que sei ele guardou a bicha dentro de um potinho de ENO. Teoricamente, ele viveu a vida inteira com a orelha.
- Quem te falou isso? Pelo que eu sei ele mandou ela pro Gauguin como pedido de desculpas.
- Sim, mas o cara devolveu. O Van Gogh mandou a orelha e uma carta “aceite o meu pedido de desculpas”, mas o Gauguin mandou de volta dizendo “isso não é um pedido de desculpas, é uma orelha”.
- ah, vai... Onde você leu isso?
- No Dicionário Ilustrado do Jânio Quadros.
- Mentira.
- Tá, é mentira, mas eu tenho um dicionário Ilustrado do Jânio Quadros.
- Sério?
- Sério.
- E é verdade que no verbete “cerveja ruim” está a foto da Kaiser?
- Não, a edição é antiga. Está a foto da Malt 90.
- Ahahaha, Malt 90. Podes crer...

19 de agosto de 2014

Os criativos do botequim - Jornal com opinião

- E aí, alguma ideia pra novo comercial do Jornal?
- Ainda nada... O último ficou uma merda.
- Eu estou com uma ideia aqui...
-Manda.
- Negócio simples... A gente joga com os contrastes. Tipo: o jornal é a favor do casamento gay. Aí aparece um gordão todo clichê e você pensa que ele vai falar ‘Sou contra’ mas, não, ele fala: eu também!
- Não sei, não...
- Não, vai ouvindo. O comercial continua: o jornal é contra o aborto. E aparece uma feminista funcheira: ‘eu também’... E assim vai...
- Ah, saquei e no final a gente põe: ”jornal vota no PSDB e aparece um barbudo de vermelho e diz ‘eu também’”
- Ahahaha... É bem por aí.
- Cara, a ideia é boa mas, esse negócio de jornal admitir  que é parcial... Pega mal.
-  Pega nada, todo mundo sabe...  No final a gente coloca alguma coisa do tipo: jornal com opinião respeitando a opinião dos outros... O que acha?
- Puta de um clichê!
- Então é isso. Fechou. Amanhã já marco uma reunião com o cliente.
- Duvido que passe.
- Se passar você me paga um Old Eight?
- Te pago até um Drury’s!
- Fechado!

13 de agosto de 2014

Conto - Gripe

No dia em que conheci (****), à noite tive febre. Me senti um poeta romântico, mas era só gripe.

Apesar de tudo, no dia seguinte trabalhei. Na volta pra casa parei no La Barca e pedi um conhaque com mel e limão. Na metade da dose escrevi num guardanapo um poema chamado ‘6 cordas’. Me senti genial. Mais alguns goles e lembrei que o poema era do Lorca.

Aí, apareceu um camarada do teatro.

“Rapaz,  estou com uma ideia genial pra uma peça. Sério. Vai arrebentar!”
“Mesmo?”
“Seguinte: saca ‘Os cantos de Maldoror’?”
“Não.”
“Não importa, o importante é a montagem... Seguinte: a peça rola, normal, aí, no final o ator puxa uma arma e atira em alguém da plateia. O que acha?”
“De verdade?”
“De verdade. O ator saca uma quadrada e ‘pow’ na testa de alguém do público.”
“Não sei se vai virar...”
“Lógico que vai! O que mais tem nesse mundo é gente querendo morrer... Vai bombar!”
“Isso é legal?”
“Antes de entrar na peça os caras vão assinar uma autorização.”
“Mesmo com autorização. Acho que matar gente continua sendo ilegal.”
“Claro. Aqui no Brasil, que o pessoal é cabecinha, sim. Mas, vou montar esse espetáculo nos EUA. Lá sim tem gente depressiva. Vou começar pequeno, Off Off Broadway... Em um mês já vou pra um puta teatro.”
“Boa sorte.”
“De repente eu faço um musical. Americano só vai ao teatro se for musical.”
“ É verdade.”

***

No dia seguinte encontrei (****) por acaso, na padaria, tomando café com leite.
“Oi.”
“Oi, que surpresa!”
“Eu moro aqui atrás.”
“Ah.”
“...”
“ Vai tomar café?”
“Não, só vou comprar uma bala.”
“Então, a gente se vê.”
“A gente se vê.”

Naquele dia tomei café no Português.

***

A gripe tinha piorado um pouco, mas fui trabalhar mesmo assim. A febre fazia meus olhos ficarem pequenininhos. As olheiras e tudo mais deixavam claro a minha condição de “não estou bom”.
“Você foi ao médico?”
“Não, é só gripe.”
“Tomou algum remédio?”
“Alguns...”
“Vai pra casa descansar, vai...”
“Tá bom.”
Dormi à tarde e à noite saí pra tomar mais um conhaque com mel. Encontrei (****) no caminho. Ela era bem falante.
“Sabe aquela música Thanhouser do Wagner?”
“Sei.” (mentira)
“Estou com ela na cabeça faz uma semana. Não sei mais o que faço. Tô ficando louca.”
“Se você cantar o final da música você consegue se livrar dela.”
“Será?”
“Dizem.”
Então ela cantou o final imitando um maestro. Deu uma gargalhada.
“Funcionou?”
“Funcionou, mas agora estou com o 2º ato...”

Demos risada, mas a minha foi meio forçada. Não sei rir.

E ela foi embora.

Já no La Barca, encontrei um amigo que era alcóolatra redimido. Não gostava de conversar com ele porque sempre ficava lembrando histórias antigas.
“Cara, lembra aquela vez em Visconde de Mauá que você tomou um acido e escreveu um poema na parede da sala do Profeta e depois, no dia seguinte, todo mundo ficou tentando decifrar o que você tinha escrito?”
“O Profeta não morava em Monteiro Lobato?”
“Podes crer. Monteiro Lobato... Lembra desse dia?”
“Não.”
“Também, você tava muito chapado. Acho que seu poema está na parede do cara até hoje.”
“Acho que o poema não era meu, devia ser do Lorca ou da Florbela... Eu tenho mania de me apropriar do poema alheio.”
“Ah, esse não era não. Não tinha nada a ver com nada.”
“Não me lembro desse dia, mesmo.”
“Cara, você tá com mó cara de acabado.”
“É gripe.”
“Então para de beber.”
“É conhaque com mel e limão... Faz bem.”
“Tem que se cuidar, cara, você já tá velho.”
“Estamos todos velhos.”

***

À noite sonhei que conversava horas com (****). Acordei no meio do papo. Dei dois espirros e constatei: ainda estou doente. Resolvi ir ao médico.

“É gripe.” ele disse.

***

Encontrei (****) no quilo.
“Tá melhor?”
“Fui ao médico. É gripe.”
“Ah, já, já você está bom...”
-“Você é vegetariana?”
“Quase. Sou vegetariana que come carne de vez em quando.”
“...”
“Você come carne?”
“Ahn?”
“Carne, você come carne?”
“Ah, sim. Como.”

E passamos o resto do almoço em silêncio. Durante aquele tempo pensei que se eu fosse ver a peça do meu camarada na Off Off Broadway, sentaria na primeira fila e no final ia implorar: “atira em mim, atira em mim!!!”

***

Encontrei meu pai por acaso tomando um rabo de galo. Pedi um pra mim.

“Não sei o que acontece, pai. Sempre que estou com (****) não consigo falar nada. Fico quieto, quase catatônico.”
“Entendo.”
“Logo eu que sou tão comunicativo...”
“Não é, não. Você pensa que é falastrão, mas na verdade você é praticamente um monge do silêncio... Desde criança.”
“Sério?”
“Sério. Você pensa que fala, mas não fala.”
“...”
“Mas, isso não tem o menor problema. Não falar é uma opção.“
“Acho meio constrangedor.”
“Nada... Lembra quando você namorava aquela atriz shakespeariana...”
“Ela não era shakespeariana.”
“Ufa! Achei que só eu achava que ela não era... De qualquer forma, você e aquela atriz nunca conversavam. Ficavam quietos o tempo todo e ficaram juntos por longos...”
“Dois meses.”
“Só?”
“Um pouco menos de dois.”
“Parecia uma eternidade, vocês dois ali, quietos no sofá... Mas tudo bem, se você acha que é importante falar vou te dar um conselho: fale qualquer bobagem, sem parar, uma bobagem atrás da outra.”
“Quê?”
“É, não se preocupe com a qualidade do assunto, vai falando. As pessoas não prestam atenção no que as outras falam. Se você ficar falando um monte de bobagens, e  entre uma frase e outra der uma risadinha, essa garota vai te achar um cara super divertido.”
“Será?...”
“Mas o silêncio também é uma opção.”

Terminamos de tomar nossas bebidas, quietos. O silêncio também era uma opção.

7 de maio de 2014

VIGIAI, MY FRIEND, VIGIAI!

Conheci Miriá logo depois que começaram os linchamentos. Na ocasião eu estava fugindo de um, descendo a Augusta feito um destrambelhado.  Se não me engano, na esquina com a Peixoto Gomide um fusca azul escuro parou na minha frente e a porta abriu.

"Entra."

A motorista era magrinha, bem magrinha.  Arrancou o carro e ainda pude ouvir os xingamentos e a revolta do povo pelo retrovisor. Estava salvo, mas aí pensei que aquela mulher poderia estar me levando pra um linchamento ainda maior. Resolvi perguntar:

"Você está me levando pra um linchamento ainda maior?"
"Não"

Silêncio enquanto recuperava o fôlego. Até que veio a questão inevitável:

"Você fez alguma coisa?"

Sim tinha feito. Cometi três delitos em um. Estava tomando um stanheguer no balcão de um bar perto da Paulista e, distraído, fiquei olhando o decote de uma garota bem na minha frente. Cometi aí, inconscientemente, o crime de lasciva. Então, um sujeito raivoso me cutucou pelo ombro - perdeu alguma coisa?  -  foi então que cometi o segundo erro, o do preconceito: "Pfff, é meio gordinha..."

Gritaram "Pega!". Saí correndo e o linchamento estava armado.

O terceiro delito (e mais grave) cometi antes do primeiro, que  foi  estar distraído.  Lembrei de um pôster que vi uma vez num bar em São Luís que tinha uma imagem de Cristo e a citação "Vigiai, my friend, vigiai".

Quando a magrinha perguntou achei melhor não contar a história toda. Respondi apenas:

"O povo anda muito raivoso."

Ela deu de ombros.

"Por que me salvou?"
"Não gosto de violência."
"Obrigado... "

Passamos pela praça da República e vimos dois linchamentos,  no primeiro, cerca de umas cem pessoas massacravam uma mulher de mais ou menos 50 anos. O segundo era mais modesto, uns vinte linchadores atacavam um rapaz franzino. O curioso deste último é que o rapaz estava quase morrendo, mas continuava de óculos. Penso que talvez ele tivesse algum elástico que o prendesse firme em volta da cabeça e aí me ocorreu que ele poderia estar apanhando justamente por usar esse tipo de assessório. Vigiai, my friend, vigiai.

"Você não tem medo de sair na rua com essa onda de linchamentos?"
"Esse fusquinha vai de 0 a 100  em 4,8 segundos.  Quando os linchadores pensarem em me pegar, eu já estou em Campinas."
"Você é de Campinas?"
"Não."
"Quer beber alguma coisa?"
" Eu não desço do meu carro."
"A gente pode parar num posto rapidinho e pegar alguma coisa, o que acha? "

Ela pensou por alguns segundos e "Tá bom!". No primeiro posto que paramos, outro linchamento. Atacavam o que, pelo uniforme, parecia ser um mecânico. Esse grupo de justiceiros se diferenciavam dos outros porque tinham cachorros. Cada um com o seu, mas os cães não agrediam, ficavam ali, um cheirando a bunda do outro, enquanto seus donos sentavam o braço no pobre homem.

Melhor seguir adiante. A alguns metros vimos um carro parado e diante dele um vira-lata atropelado.  Eis o motivo do último linchamento.  Vigiai, my friend, vigiai.

Conseguimos bebidas em um bar perto dali. Tive que saltar do fusca em movimento (20km/h), correr até o bar, comprar as bebidas e sair correndo atrás do fusca pra entrar de novo. Essa travessia despertou alguns linchadores que estavam na rua e ao me ver correndo acharam que eu tinha culpa no cartório.  Apertei o passo e entrei no carro pela janela.

"Qual o seu nome?"
"Miriá."
 "Bacana. É Grego?"
"Hebraico, eu acho... E o seu?"
"Valdir."
"É russo?"
"Russo."
"Legal."
"Sabe, um dia, há uns 3 anos mais ou menos,  eu estava em São Luís e vi num bar um  pôster com a imagem de Jesus e a citação  'Vigiai, my friend, vigiai'" Não sei porquê, isso não me sai da cabeça.”
"A imagem era de Jesus, mesmo? Não era, sei lá, Bob Marley ou Frank Zappa?"
"Não, era Jesus mesmo. Aquela imagem clássica do Zefirelli. O cristo loiro, olhos azuis barba bem penteada..."
"Aquele da L.B.V.?"
"Esse mesmo."

Passamos pela Duque de Caxias.  Uns 200 ou 300 vingadores tinham invadido um albergue da prefeitura. Ao contrário dos outros esse linchamento era mais silencioso. A impressão que tive é que o pessoal que apanhava estava apanhando com certa resignação. Apanhavam calados.

Eu tinha uma garrafa de Dreher.  Miriá, uma de Martini Bianco.  Fomos bebendo quietos, rodando, sem rumo, a cada esquina uma nova cena de violência. Veio a dúvida:

"Onde vamos parar?"

Que foi respondida com a mesma pergunta:

"Onde nós vamos parar?"

Vigiai, my friend, vigiai.

9 de abril de 2014

Papo de boteco – o grão da mostarda


Os dois tomam cerveja em um boteco de esquina. Um deles come um misto quente no pão murcho. Num dado momento ele pega um tubo de mostarda que está na mesa. O outro repreende?

- Meu, já são onze da noite. Esse negócio deve estar aí na mesa desde as seis da manhã...
- Não tem problema. Mostarda não estraga.
- Pior ainda!  Não confio em alimento que não estraga. Se não é bom pra bactéria, não é bom pra mim.
- Mostarda é um alimento bíblico.
- Ah, vá.
- Não tem a passagem? “e não passará nenhum grão de mostarda sem que deus veja”.
- Você tá querendo me dizer que esse negócio passou pelo controle de qualidade divino?
- Com certeza.
- E o catchup?
- Catchup é americano. Não passou pelo controle de deus mas, passou pelo do Obama. Quase a mesma coisa.
- Tudo isento de bactérias?
- Sem dúvidas.
- Desse jeito, onde nós vamos parar?
- Acho que no próximo boteco que nesse os caras estão se preparando pra lavar nosso pé.
- Podes crer! (grita) Ô, chefia, fecha a nossa e põe na conta dele!


12 de fevereiro de 2014

Caipirinha de Mexerica com Gengibre


Pra refrescar e relaxar, que tal uma caipirinha bem diferente?

Ingredientes.

6 a 8 gomos - MEXERICA
4 fatias - Gengibre
1 colher de Açúcar
3 doses de Cachaça
Gelo

Corte os gomos de mexerica em 3 pedaços, junto o gengibre o açúcar e macere. Coloque a cachaça e mexa até diluir. Complete com gelo.

Dica: retirar a parte branca central da mexerica e as sementes evita que a bebida amargue.



11 de fevereiro de 2014

O Motivacionildo


Um tomando cerveja o outro rabo de galo.

- A gente sempre tem que lembrar que, quando o semáforo fecha de um lado, ele abre do outro.
- Que é isso? Frase motivacional?
- Não, é uma constatação de transito.
- Tá, mas...
- Pense nisso...
- Cara, eu vou te falar uma coisa de coração: esquece esse negócio de querer ser guru de autoajuda... Não rola.
- Meu, motivacional é o que dá a grana. Ó o Lair Ribeiro. O cara tá milionário. Pode ver, Içami Tiba, Shinyashiki, Deepak Chopra, Paulo Coelho... Os caras estão cheio da nota! É aí que tá o ouro!
- Mas, os caras são pós graduados em picaretagem... Você é, quando muito, um mero aprendiz.
- Calma. Com foco a gente chega lá.
- Opa, espera aí... Com o quê?
- Com foco. Com foco a gente chega no objetivo.
- Meu, você tá comprando o livro desses caras?
- Tenho todos.
- E o Segredo?
- Sei de cor. Pensamento positivo!
- Não vou falar mais nada. Vai tomar cerveja ou outra coisa?
- Entre tomar umas e outras eu fico a atitude!
- A, vai tomar...

10 de fevereiro de 2014


VESPER MARTINI

3 parte Gim
1 parte Vodca
1/2 parte de Vermouth Seco
Casca de Limão

Coloque os ingredientes em uma coqueteleira, adicione gelo e agite. Coe em uma taça de martini gelada e decore com um twist de limão.


1 de novembro de 2013

Papo de Boteco – Não posso por causa do cachorro


Dois marmanjos num verdadeiro festival do vermouth rosso com cachaça, vulgo rabo de galo.

- Sabe qual é o maior inimigo do turismo?
- Catástrofes naturais.
- Não, eu estou falando das agências de turismo. O maior inimigo das agências...
- Sei lá, falta de grana.
- Não. São os cachorros.
- Cachorros?
- É. O pessoal não viaja mais porque tem que cuidar dos bichos. Sabe quantos por cento a indústria do turismo despencou?
- Não.
- 18. Dezoito por cento.
- Não é o que eu tenho visto. Esses dias saiu uma matéria na Veja dizendo que o turismo  está em alta.
- Que mané Veja. Eu tenho uma agência. Não estou falando de estatísticas estou falando a real: em um ano as vendas caíram 18%.
- E a culpa é do cachorro.
- Você já percebeu como o pessoal está ficando alucinado por causa de bicho? Ninguém mais viaja pra ficar cuidando da cachorrada. Ninguém quer mais saber de gente.
- Pois eu tenho a solução para os seus problemas.
- Qual?
- Vende a agência e compra um Pet Shop.
- Eu não! Detesto cachorro!

- Psiu, fala baixo se não vão linchar a gente aqui no bar.

16 de setembro de 2013

Se fosse sólido, comê-lo-ia!

Ambos tomando cerveja. Entre os dois, no balcão, uma Velho Barreiro com limão que pode ser tanto de um quanto do outro... Há também a possibilidade de estarem rachando a dose.

- Você assistiu 'Nosso Lar'? Sabe aquele caldo revigorante que eles tomam no céu o tempo todo? O espirito não almoça, não janta, não come lanche. Só toma aquele caldo. Do que será que aquilo é feito?
- Cachaça. Se é líquido e é revigorante, só pode ser cachaça.
- E se fosse sólido?
- Se fosse sólido, comê-lo-ia! 
- Grande Jânio Quadros!
- Grande... Posso te dizer, sem sombra de dúvidas, que esse foi o maior pateta que a Brasil já concebeu.
- Quem, o Jânio? Que é isso... Para o bem ou para o mal o cara está cravado na história do país.
- Cravado na história como o imbecil que foi. Fala uma coisa boa que ele fez?
- A única coisa que me lembro que ele quis fazer, mas não sei se conseguiu, foi proibir o biquíni. 
- E isso é bom?
- Não estou falando que é bom, estou falando que é a única coisa que eu lembro.
- Tá vendo? Pateta! 
- Mas, voltando ao assunto: e o caldo revigorante?
- Era cachaça, pô. Cachaça! Põe uma coisa na sua cabeça: se é líquido e revigorante, é cachaça! 

1 de maio de 2013

Caipirinha de Morango com Maracujá


3 a 4 morangos

1/2 polpa de Maracujá

!/3 Limão cortado em cubos

1 colher de açúcar

2 doses de Cachaça

Junte o morango a polpa de maracujá, o limão e o açúcar no copo e macere. Em seguida coloque a cachaça e mexe até diluir. Complete com o gelo.

26 de abril de 2013

Wasabi Martini


2 doses de Vodca

Suco de meio Limão

Açúcar

1 colher de café de Wasabi

Encher uma coqueteleira com gelo. Adicionar todos os ingredientes. Agitar e coar em uma taça de Martini. Decorar com uma rodela de limão ou pasta de wasabi.

25 de abril de 2013

Horse's Neck


1 e 1/2 doses de Bourbon

1 Dose de Xarope de Gengibre

Água com gás

Gelo.

Junte o Bourbon e o xarope em copo baixo, adicione gelo e complete com Club Soda ou água com gás. Decore com uma fatia de laranja.

Saúde!

12 de março de 2013

Papo de Boteco – O Papastor


Dois evangélicos tomando Fanta uva sem gelo. Na TV, o Jornal Nacional dá as últimas do conclave.

- Olha aí, ó. Só se fala no Papa.
- Quem é que quer saber?
- Isso aí é uma sujeira só. O outro lá, não aguentou.
- Eu tenho pra mim que o outro Papa aceitou a palavra.
- Será?
- Eu tenho certeza. Não dou um ano pra ele estar aí, pregando a palavra do Senhor.
- Com a glória do Senhor.
- Vai ser um instrumento na mão de Deus.
- Amém.

Continuam nessa ladainha de “glórias” e “aleluias”até terminarem a Fanta.

5 de março de 2013

COMO AS TRIPAS DO MENDIGO



Dois engravatados bebem cerveja.

- Cara, hoje eu me dei conta de uma coisa muito louca.
- O quê?
- Todo dia eu passo de baixo do viaduto Nove de Julho e, todo dia, no mesmo horário, vejo um mendigo cagando.
- Que merda… Boa cena pra se ver de manhã.
- Se fosse só isso, tudo bem, eu olhava pro outro lado, mas a coisa é mais grave.
- Mais grave?
- É, cara. Hoje eu me dei conta de que se o mendigo caga, no mesmo horário e eu passo por baixo do viaduto no mesmo horário, isso significa que minha vida funciona com as tripas de um mendigo.
- Filosófico isso.
- Filosófico não, epifânico! Tô pensando até em sair do emprego, mudar de cidade, sei lá, dar uma virada radical na minha vida.
- Relaxa, cara, mais cedo ou mais tarde a gente sempre se da conta do óbvio: somos todos o sólido resultado do trabalho árduo das tripas de um dorme-sujo.
- Cacete, isso parece frase de político nordestino.
- Político nordestino é boa!
- Nem vou tomar mais cerveja hoje. Vou atacar logo de destilado.
- Só não toma Underberg . Dá depressão.
- Nada, vou tomar é uma cachaça.
- 51?!
- 51!!!


6 de dezembro de 2012

Pregnant


Tinha coisas que eu achava que era típica da classe média brasileira mas, não.  Esse interesse global na gravidez da Kate Middleton mostra que o mundo é uma grande província. A imprensa está explorando ao máximo o fato. Além de boletins horários sobre o estado da grávida, fazem cálculos progressivos e regressivos da gestação para chegarem a conclusão que a criança irá nascer no aniversário da Princesa Diana (Bizarro!) e que a concepção foi feita naquela mesma viagem em que a dita foi fotografada de peitinhos à mostra. Segundo os tabloides, uma duquesa de topless, resistir, quem há de?

6 de novembro de 2012

Nádegas sexagenárias

Detalhe de uma mão sinistra
tentando tocar a buzanfa sagrada.

E a notícia mais relevante do dia é a buzanfa da Rita Lee. A cantora que havia anunciado aposentadoria dos palcos há nove meses, voltou atrás e ontem, no final do seu show de retorno, em Brasília, baixou as calças e botou a baleia branca pra respirar.

Do repertório e concepção do espetáculo, nem uma notinha de rodapé.  Quem se importa?

23 de outubro de 2012

Uma coisa que passa pela minha cabeça

Hoje saiu mais uma notícia sobre um sujeito que foi esfaqueado na cabeça e sobreviveu. Dois palmos de lâmina na cuca do cabra e nada, nenhuma sequela. Não sei se notaram mas, ultimamente,  tem aparecido várias materias sobre cabeças espetadas. Vergalhão, machado, faca Ginsu, sapato bico fino, enfim, todos os encontros de objetos perfurantes com cabeças ganham as páginas do jornais – desde que o dono da cabeça sobreviva, evidentemente. 

Todo dia uma nova imagem de raio-x de crânio com o objeto x atravessado de fora a fora, ilustra os sites de notícias e fico com a dúvida: por que o alarde? Esse tipo de fenômeno começou a acontecer agora? Temos uma nova geração de mutantes com tecidos cerebrais de alta capacidade regenerativa? Ou essa é a prova definitiva de que dá, sim, para levar uma vida numa boa totalmente sem miolo?

Curioso. Curioso.

3 de agosto de 2012

Papo de boteco – Superman!


- Se você viesse de outro planeta com superpoderes, tipo, conseguir dobrar poste na mão, fazer carro voar com sopro, queimar a bunda dos negos com raio-laser que sai do olho, você ia escolher como identidade secreta ser um jornalista otário?
- Meu, você tá preocupado com o superman? O cara é um puta de um baitola.
- Tá, que seja. Se o cara é baitola, por quê não escolheu ser decorador de ambiente ou, sei lá, tipo...
- Não vai falar jogador do São Paulo que é sacanagem.
- Não, tudo bem. Mas você entende o meu ponto de vista? Não estou falando da viadagem do superman, tô falando que, se o cara é fodão, pra que ter uma identidade secreta tão babaca.
- É o contraste do personagem.
- Contraste nada, é idiotice.
- Se fosse você, o que você escolheria?
- Se lá, eu acho que eu escolheria ser o Eike Batista.
- Com peruca e tudo?
- Com peruca, filho demente e os cacete.
- O cara é corno, você sabe...
- Mas o Clark Kent também é corno. A Louis Lane não considera o cara como homem. Ela passa o rodo geral naquela redação. Do office boy ao alto escalão, todo mundo já foi ali.
- Sério, cara?
- Tô falando. Um otário daqueles, você acha que a mulher respeita?
- Vai saber.
- Vai saber nada. Esse superman é um puta de um trouxa.

14 de maio de 2012

Papo de Boteco – O Planeta Versão Brazuca


Dois intelectualóides metidos a cinéfilos bebem gim com soda.

- Assistiu 'Planeta dos Macacos, a origem'?
- Assisti quando lançou.
- Não sei se você reparou que tem mais uns dois ou três filmes da franquia com teorias diferentes sobre a origem do planeta.
- E a pior delas é a do Tim Burton.
- Com aquela estória da nave com um chimpanzé modificado geneticamente que cai lá lá lá... Também acho a pior. A teoria é completamente fora de propósito.
- Eu faria uma muito melhor.
- Pois, eu já fiz uma teoria melhor.
- Ah, vá.
- Ouça e diga se não é a teoria definitiva sobre a evolução dos símios.
- Fala logo, pô.
- A coisa toda começa aqui, no Brasil.
- Começamos bem...
- Não, vai vendo. Você soube que modificaram geneticamente uns mosquitos da dengue pra que um imunize o outro e o mosquito pare de transmitir a doença.
- Li alguma coisa a respeito.
- Então, aí começa a nossa estória. Cientistas criam esse mosquito, mas alguma coisa dá errado e os insetos acabam mudando de tamanho, ficam mais robustos e, ao mesmo tempo, com um tipo de vírus da dengue mortal. Picou e em duas horas o coitado está morto.
- Tipo epidemia.
- Exatamente. Aí, o que acontece? Como os mosquitos cresceram eles não conseguem picar pessoas mais peludas, só as de pele lisinha.
- Quer dizer, o Tony Ramos está livre desse mal.
- Totalmente. O que acontece? Os peludos e as peludas sobrevivem e vão procriando entre eles, criando espécies cada vez mais peludas, cada vez mais peludas até que tchã-ram!!! Temos o planeta dos macacos... Que nada mais é do que o planeta dos humanos muito, muito peludos.
- Toda essa estória pra dizer que os macacos evoluíram do Tony Ramos.
- Numa analise simplista, sim.
- Isso não é preconceito, não?
- Preconceito por quê? Os caras dominam o mundo.
- Bom, é uma teoria melhor que a do Tim Burton.
- Muito melhor. Vou registrar essa idéia.
- Escreve e vende pra Hollywood.
- Que Hollywood nada, vou vender pro Zé Wilker. Planeta dos Macacos versão Brazuca, já pensou?
- Vai ser um espetáculo.
- Um espetáculo.

Brindam, bebem  e babam.

9 de maio de 2012

ITALIAN STALLION


Italian Stallion
O nome do drink não é muito sugestivo, inclusive, acabei de descobrir pelo google que tem um filme pornô do Stallone com o mesmo título. Tirando isso, a combinação de bebidas dá muito certo e vale a pena experimentar. 

Alguns Barmans substituem o Bourbon por Scotch  com um dash de Frangélico. É uma opção mas se tiver Bourbon no bar, prefira.

Ingredientes
2 partes de Bourbon
1 parte de Campari
Dash de Vermouth Rosso
Twist de limão

Preparo
Chacoalhe todos os ingredientes (exceto o twist, evidentemente) com gelo e sirva, coado,  num copo de martini. Decore com o Twist de limão.

2 de maio de 2012

Papo de boteco – Maracugina com uisque.


Dois engravatados tomando uisque.

- Olha aqui ó, tá vendo?
- O quê?
- Minha mão. Tremendo pra cacete.
- Precisa ver isso no médico, hein.
- Ver o quê? eu sei o que é. Stress. Preciso sair dessa bosta dessa empresa se não eu morro.
- Sai dessa, vai pra outra, é tudo igual. Você tem que aprender a relaxar.
- Relaxar como? Não tenho tempo nem de dormir. Vou dormir a uma, acordo as cinco...
- ...
 -  Eu queria era ter um negócio próprio, não ter horário pra nada...
- Quê? Todo mundo tem horário pra alguma coisa. Ontem eu estava passando nessa praça aqui, como é que chama?
- Sei, a praça aqui atrás.
- Essa. Estava passando lá e um mendigo me perguntou as horas. Pra você ver, até mendigo tem horário.
- Ah, claro, o mendigo tinha uma reunião de negócios importantíssima.
- Não, tinha hora pra tomar sopa. Sabe aquela igreja ali de baixo?
- Das Almas, Igreja das Almas.
- Essa. Eles servem sopão, todo dia, das sete as oito. Chegou as oito e um, fica com fome.
- Tá, mas não é esse o caso. O que eu tô falando é que vou largar o emprego e abrir um negócio próprio.
- Conselho de amigo: não faça isso. Se trabalhando como funcionário, com o salário bonitinho todo final do mês você estressa, imagina tocando um negócio? Melhor ficar onde está.
- Se eu ficar nessa empresa eu morro de infarto.
- Toma Maracugina com uisque.
- Vai brincando. Vai brincando.

26 de abril de 2012

PAPO DE BOTECO - QUANDO BATE A CAREQUICE...


Dois  sujeitos de camisa de manga curta tomando Brahma.

- Vou comer um pedaço de pizza. Quer um?
- Não posso. A médica mandou cortar o molho de tomate.
- Ué, por quê?
- Eu fui numa dermatologista ver esse meu problema de calvície...
- Alargamento de testa.
- Valeu, valeu.
- Brincadeira, fala aí.
- Então, a médica me mandou cortar um monte de coisas, massa de tomate, condimento, pão branco...
- E isso vai evitar a queda de cabelo?
- Ela passou a dieta e uns remédios aí.
- Cara, se carequice tivesse jeito o Eike Baptista não usaria aquela peruca ridícula.
- O quê que isso tem a ver?
- Tem a ver que o  cara é o cara mais rico da America Latina. Se ele, com toda a grana  que tem, é obrigado a usar aquela tapetinho na cabeça pra esconder a pouca pena, então o caso não tem solução... Come pizza aí. (grita) Dá um pedaço de pizza pro cara, aqui!!!
- Nada a ver. Cada organismo funciona de um jeito.
- E você acha que o seu organismo é melhor que o do Eike batista? O cara é  milionário, se ele quiser ele pode se transformar num Cyborg mas, cabelo, necas. Quando a grama começa a rarear, meu chapa,  a melhor coisa que você pode fazer é comprar um boné.
- Valeu pelo incentivo.
- De nada. (grita) Cadê a pizza do cara aqui, pô!!!

16 de março de 2012

Drink – Sphinx

Encontrei duas versões interessantes desse drink, uma no livro “Big Bad-Ass Book of Cocktails” e outra no site Cocktail UK. Essa última, como também vi  em outros sites, acredito ser a mais confiável, no entanto, achei a  do  livro bem mais interessante, praticamente um gim-tônica só que com vermouth no lugar do limão.

Aí vão elas.

SPHINX (Big Bad-ass book of cocktail)

Ingredientes
1 ½ dose de gim
½ dose de vermouth rosso
Água tónica.

Preparo
Em um copo highball misture o gim e o vermouth, adicione gelo e complete com tônica.

SPHINX (Cocktail UK)

Ingredientes
1 ½ dose de gim
1 dash vermouth rosso
1 dash vermouth seco

Preparo
Misture os ingredientes em um mixer glass com gelo. Coe para uma taça de Martini e decore com uma rodela de limão.

Bom, é isso. Experimentem e depois me digam qual a melhor. Até mais.