12 de fevereiro de 2007

GALHARDO O MASCARADO

Especulava-se: Era na night que o Galhardo se soltava. Sempre sisudo, de expressão una, as possíveis atitudes secretas do quarentão era motivo de apostas no escritório. Tinha cara de segredo, cara de doce pervertido dos anos 70. Teve uma época que cogitaram a hipótese do tal ser pederasta e ter um caso com o engraxate da Rua Antônio Godoy, só porque ele dava um lustro nos sapatos todo o santo dia, pagando sempre com caxinha. Com o tempo mudaram de idéia. Não tinham cara de gay, nem ele, nem o engraxate que coitado era gago e soltava espuminha pelo canto da boca.

Noutra vez correu o boato de que o viram, num final de tarde, de chamego com uma coroa num boteco na Major Quedinho. Diziam que a senhora - estilo Alcoólatra chic - toda emperiquitada de bijuterias, passou horas esfregando o decote nas fuças do coitado. Depois de muita fofoca foram descobrir que o sujeito não era o Galhardo e sim o Seu Tadeu, síndico safado do 1313 da Casper Líbero.

Agora chegaram a conclusão: O velho caia na night. Se esbaldava no bingo até umas horas e depois rodopiava numa gafieira na Rego Freitas. E mais: mantinha, a mais de 10 anos, um relacionamento secreto com uma mulata que era casada com um coronel da PM reformado. Quem relatou o dossiê foi a dona Júlia do cafezinho, qual a irmã era vizinha de uma muito amiga da manicure que tinha um salão bem em frente da casa do tal coronel e sua mulata infiel.

O pessoal estava convencido. A fonte era segura. Decidiram dar um flagra no tiozão. Combinaram todos de ir a gafieira da Rego Freitas na sexta a noite e foram. Deram com os burros n'água, não encontraram nem Galhardo, nem mulata infiel e muito menos a gafieira que, segundo um travesti que fazia ponto na esquina, havia fechado a mais de vinte anos atrás.

Naquele mesmo momento, perto dali, no escritório vazio, Galhardo e dona Júlia se esbaldavam em cima de uma máquina de Xerox, despreocupados da vida...

Um comentário:

Elyana disse...

esse eu já conhecia ;)