12 de novembro de 2007

Pena de Morte aos Falsificadores de Bebida.

O caso da soda no leite abafou outro escândalo muito mais grave: a falsificação de bebidas alcoólicas (fato que tem me tirado o sono e a alegria de viver). Esses pilantras fabricam desde cognac Dreher à Naponeon, passando por Smirnoff, Domec e afins, usando álcool de posto de gasolina, ou seja, metanol puro!!!

Esse absurdo tem que ser largamente divulgado! Pena de morte a esses canalhas!

Leia abaixo a integra da matéria exibida no Fantástico em 14/10/2007.


Máfias das bebidas falsificadas


Conheça, com exclusividade, como funciona a máfia das bebidas falsificadas no Brasil. Uísque, Vodca, champanhe – tudo falso. São milhares de litros de péssima qualidade vendidos em festas, bares e restaurantes.



Nossos repórteres acompanharam a mega-operação da Polícia Civil do Rio de Janeiro, que, esta semana, desbaratou essa quadrilha.

No estacionamento de um shopping sofisticado do Rio, dois homens descarregam um caminhão. O que se vê é mais uma operação de entrega da maior quadrilha de falsificação de bebidas do Brasil.

Wilson Alves da Silva Junior, o vendedor e distribuidor dos produtos falsos no Rio; e Ivan Maragon de Oliveira, o fabricante que recebe o pagamento ali mesmo, nem desconfiam que estão sendo filmados pela Polícia Civil do Rio, que investigou a quadrilha ao longo dos últimos dez meses.

A máfia dos falsificadores atuava em três estados: Rio, São Paulo e Paraná. Mas os policiais acreditam que milhares de litros da bebida adulterada chegavam a quase todo o país.

Com autorização da Justiça, a polícia interceptou as ligações dos bandidos. Em uma das conversas, os policiais descobrem que a bebida falsa da quadrilha foi parar até no recente Festival de Cinema do Rio.

Wilson: Escuta, para amanhã a única coisa que eu tenho é Red Label, uísque Red Label. Eu tenho também pró-seco e tenho [a vodca] Absolut, só.

Comprador: E "tu" acha que a gente consegue atender o pedido do festival, quarta-feira? Quarta-feira é que eu preciso dessa bebidas do festival todas.

Wilson: Tá tranqüilo, você não fechou o pedido, tu tem que fazer o pedido.

Comprador: Eu já fiz o pedido pra você hoje por email, quando você chegar em casa você vai ver, entendeu? Eu já vou precisar de umas 30 caixas de Smirnoff, entendeu, um pedido grande já.

A polícia segue os passos de Wilson Alves pelo Rio de Janeiro. Ele usa um carro particular para não chamar atenção. Faz entregas em casas de shows, hotéis e restaurantes sofisticados. Os próprios bandidos falam mal da qualidade da bebida que vendem.

Falsificador: É álcool hidratado, álcool de posto de gasolina. Aquele álcool lá é álcool hidratado, é álcool com metanol.

“Metanol é o contaminante mais agressivo que existe, que pode levar da cegueira à morte. E o consumo em grande escala, principalmente na classe jovem, nas baladas, não existe limite de consumo. Então, o risco se torna maior ainda, porque a pessoa ingere muito e mistura com outras bebidas. Essa reação é rápida, é violenta e, muitas vezes, não há nem como socorrer, não há tempo de socorro”, alerta Alfredo Morandini, químico do Ministério da Agricultura.

A quadrilha operava com uma rede de fornecedores que garantia todo o processo de falsificação. Embalagens, rótulos, lacres e até os selos de imposto da Receita Federal – tudo era falso. Esta semana, a bebida pirata finalmente virou uma tremenda dor de cabeça para os falsários.

Na madrugada de quinta-feira (11), policiais em diversos estados e em varias cidades iniciaram a operação para acabar com a máfia que falsificava bebidas de luxo em todo o país.

Ivan Maragon, um dos fabricantes da bebida pirata, foi preso na Rodovia Presidente Dutra, no Rio, com um caminhão carregado de vodca falsa. Wilson Alves, o distribuidor, é preso em casa, no Rio, no bairro de Copacabana. O apartamento está cheio de bebida pirata.

Em alguns casos, a falsificação é tão bem feita que até o delegado especializado em pirataria fica em dúvida. O distribuidor da bebida falsa não quer conversa.

A equipe de reportagem do Fantástico voltou aos endereços no Rio onde a polícia flagrou Wilson entregando a bebida falsa. O vigia de uma casa de shows disse que não havia nenhum responsável para falar. O mesmo aconteceu em um hotel.

Em um restaurante, o maître disse que a casa aluga espaço para festas, mas que não se responsabiliza pela bebida servida nesses eventos. “O nosso é tudo bonitinho com nota fiscal”, diz.

Aos poucos, os presos vão chegando à delegacia. As caixas de bebida falsa começam a lotar o depósito da polícia.

Conhaque nacional em caixas fechadas. Vodca também nacional em centenas de caixas fechadas. Milhares e milhares de tampinhas prontas para serem usadas na falsificação. Uísque escocês importado, tudo falso. Champanhe francesa da mais cara, também falsa.

A quadrilha falsificava bebidas nacionais e importadas, desde que fossem de luxo e custassem caro. Mas como funcionava a fábrica dessa verdadeira máfia?

No estado do Rio, a fábrica clandestina funcionava num galpão a cem quilômetros da capital. Milhares de litros de álcool já estavam esperando para virar bebida falsa. Em uma das conversas ouvidas pelos policiais, os bandidos explicam o que fazem quando o álcool, que eles chamam de “água”, é de má qualidade.

Falsificador 1: Aquela "água" que nós "pegava" lá na "fonte" lá ela deu problema, não?

Falsificador 2: Ela ficava azul, né? Não era todo dia, mas tinha dia que parece que mudava a água, ficava azul.

Falsificador 1: Não sabe o que é, né?

Falsificador 2: É... Pra fazer a "branquinha" [vodca] é difícil. Agora conhaque dá, é beleza.

“Essa bebida está com muito metanol. É um álcool de péssima qualidade. Até no carro serve”, confessa Ivan Maragon, um dos acusados de falsificação.

Xaropes e produtos químicos também ajudavam a disfarçar a péssima qualidade da bebida produzida e rotulada com marcas famosas.

“Para o leigo, é difícil. Mas, para o profissional que lida com esse tipo de material, é perceptível”, afirma o delegado Ângelo Almeida Júnior.

No estado de São Paulo, segundo a polícia, a quadrilha tinha uma fábrica em Americana, a pouco mais de cem quilômetros da capital, operada por Maurício de Carvalho. Os agentes encontraram milhares de selos falsos de pagamento de imposto na casa dele.

“Há cinco anos eu trabalho no ramo de bebidas. Eu sei tanto quanto você [sobre a acusação]: não sei nada. Sei que tenho minha bebida, registrada, eu vendo. Se alguém fez alguma coisa, eu não sei”, alegou Maurício de Carvalho.

Em Jundiaí, também no interior de São Paulo, a polícia prendeu outro chefe da máfia dos falsificadores, Bráulio Nogueira Neto, conhecido como o “rei da falsificação”. É segunda vez que Bráulio é preso por problemas com bebida.

“Era nada meu, não”, disse Bráulio Nogueira Neto.

“Essa quadrilha ela age silenciosamente. A polícia, para desarticulá-la, também usou do mesmo expediente, agindo silenciosamente em colaboração com a Polícia Civil de São Paulo e a Polícia Civil do Paraná. Nós agimos de forma silenciosa, monitoramos os alvos que foram selecionados e efetuamos a prisão de todo, praticamente no mesmo horário”, conta o chefe de Polícia Civil do Rio.

Ao todo, os sete chefões da máfia dos falsificadores foram presos. Eles vão ser processados por crimes contra a saúde pública e por formação de quadrilha. A pena pra cada um pode chegar a 28 anos de prisão.

Um comentário:

Cesar Augusto disse...

Essa história de falsificação de bebidas é um problema sério e já vem de alguns anos. Eu me lembro que há aproximadamente 02 anos atrás, a polícia prendeu um falsário no Bairro de Santana que distribuía uísque importado falsificado para grande parte dos bares e boates da Zona Norte. Parece que crápula mantinha uma destilaria no quintal de casa e agia com a cumplicidade e, com o perdão da palavra, com a "filhadaputagem" dos comerciantes locais que sabiam, ou deveriam saber que a bebida era falsa. Enfim, nunca mais bebi uísque, nem em casamento. Agora até a vodka esses caras estão falsificando? Assim não dá. Isso sem falar no escândalo do "Bombeirinho" com metanol nos idos da década de 90. Eu me lembro de ser alertado pela minha mãe antes de sair pra Vila Madalena nos sábados a noite. - Não vai tomar esses bombeirinhos com metanol,hein!
Enfim, todos estes fatos são lamentáveis e nos fazem perguntar: Que porra de mundo é esse?