2 de julho de 2008

Conversa de busão - Sem carona pro churras.


Uma garota de mais ou menos vinte anos e um rapaz afeminado, diria até, meio gay, posto que usava blusa cacharrel e tinha uma mochila de vaquinha pendurada no ombro. Ele fala sem parar, está revoltadíssimo, puto nas calças, mesmo.


- Ai, odeio mentira, odeio!!!
- Calma, Fá, já passou.
- Sabe, fala que não quer levar e pronto. Agora, falar mentira? Falar que não tem lugar no carro porque tem que levar a tia não sei de quem... Como se eu fosse muito gordo, ia tomar o espaço todo daquela Brasília velha!
- A gente vai de ônibus. Eu já vi, tem um que sai do Tietê de meia em meia hora.
- Eu que não vou mais nesse churrasco!
- Aaaaahhhh, Fabriciooooo...
- Sair da minha cama quentinha pra ir até Atibaia pra quê? Pra comer carne de segunda? Nem morto!
- Vai ser legal, vai estar todo mundo lá!
- Bando de gente falsa, mentirosa!!! Com o dinheiro que eu gasto pra ir lá, posso muito bem ir numa churrascaria rodízio e comer só filet mignon e picanha! Quer ir? Vamos numa churrascaria rodízio?
- Ah, aí não tem graça. Sair só pra comer.
- E você quer o quê? Quer ver aquele bando de mentiroso, enchendo a cara de cerveja e fazendo campeonato de arroto?
- Mas cê tá chato, hein?
- Chato não, prevenido! Você vai ver só, com essa lei nova do bafômetro, na volta vai todo mundo preso. Eu é que não quero estar perto.
- Mas a gente vai voltar de ônibus.
- Vai nada porque eu não vou nesse churrasco, nem morto!

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