21 de julho de 2008

Papo de muita elevação

Depois de uma habitual sessão espírita que ocorria toda quarta-feira em sua casa, Seu Vitor se preparava para descansar quando recebeu a visita de um espírito chamado Narciso que havia baixado por ali umas horas antes. O espírito:

-  Dá licença, seu Vitor, desculpe incomodar... Eu estive aqui, agora a pouco...
- Narciso?.. Perguntou seu Vitor olhando para o teto com sua habitual expressão de complacência.
- Sou eu mesmo, sim, senhor...
- Pois não, meu bom amigo, abra seu coração.
- Em primeiro lugar eu gostaria de agradecer toda a dedicação que o senhor dispensa a nós, desencarnados...
- Imagine, um dia serei um...
- Se Deus quiser.
- Amém. Mas o que o traz aqui.
- É um probleminha que talvez o senhor possa me ajudar.
- O que seria?
- Questões meramente burocráticas. Talvez o senhor possa me dar um auxílio.  O caso é o seguinte: Eu desencarnei, como o senhor sabe, a pouco mais 3 anos e, até agora, não consegui adentrar os portões celestiais.
- Por quê, meu bom amigo?
- Eu fiz a passagem por problemas do coração, no entanto, querem me enquadrar como suicida, já que eu, sabendo que era cardíaco, resolvi transar com duas gêmeas dominicanas em um bordel em Copacabana.
- Você fez a passagem nos braços de duas prostitutas dominicanas em Copacabana?
- Foi, mas eu não sabia que ia morrer. Isso não pode ser considerado suicídio.
- Realmente...
- Aqui eles dizem que é um suicídio não intencional.  Querem que eu passe um tempo no vale dos suicidas pra refletir sobre o que ocorreu.
- Compreendo... Veja bem, se é esse o caso, não há o que fazer. Eu sugiro que você cumpra logo essa pena e siga a sua evolução. Não dá pra ficar penando aqui, na terra, até o fim dos tempos.
- Não tem como o senhor interceder com o criador?
- Quem sou eu, um mero servo...
- Mas veja, sempre que eu tento refletir sobre o assunto eu fico só pensando em como aquelas gêmeas eram boas e essa coisa toda, sabe? Não consigo pensar em outra coisa.
- Procure elevar os seus pensamentos, meu bom amigo.
- Não consigo ver pensamentos mais elevados do que as gêmeas peladinhas.
- É tanto assim?
- Morri em boas mãos, seu Vitor, morri em boas mãos...
- Entendo.
- O problema é que o pessoal da portaria, São Pedro e aquela turma toda, eles são casca de ferida. Implicam com tudo...
- Sinto muito, mas a única coisa que posso fazer é orar por ti e confiar que as coisas logo se resolvam.
- Muito obrigado assim mesmo. Valeu pelo desabafo.
- Disponha... Só uma coisa...
- Pois não?
- Ainda te lembras do telefone das dominicanas?

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