30 de agosto de 2008

O DIA DA VACA AMARELA

Por conta de umas cervejotas a mais anteontem, passei o dia todo de ontem completamente sem voz. Fiquei com um bloquinho e uma caneta pendurados no pescoço. Quando queria me comunicar, anotava no papelzinho e mostrava o que queria dizer, como um mudo de filme francês.

Confesso que esse dia silencioso me fez bem. Me senti um zen monástico e soturnoso, de alma leve como a pipa de Thomas Edson. Nesse distanciamento do mundo cheguei a uma conclusão óbvia: as religiões ocidentais deveriam adotar, urgentemente, o jejum verbal. Em vez de aconselhar o povo a ficar um dia inteiro sem comer sequer um amendoinzinho, só pra purificar a alma, deveria mandar a turma fechar o bico e não dar um pio. Imagina? Todo mundo num dia de lábios selados, como se a vaca amarela tivesse cagado na panela. Seria fantástico. Aquele silêncio magistral pelo centro da cidade, todo mundo ensimesmado, com a mão no bolso, pensando na morte da bezerra, sem xingamentos, sem promessas políticas, sem lorotas, sem encheção de saco... Esse dia cairia tão bem como um 12 anos escocês, não cairia?

Um comentário:

ines disse...

jejum verbal...a ideia mais sensata que ouvi este ano de alguem. Cairia bem sim, eu apoio 100%!!!