11 de novembro de 2008

PI PI PI.... PI!!!

Naquela madrugada a energia falhou durante dois segundos, tempo suficiente para zerar o rádio-relógio que não tocou às 6:15h, fazendo Zé Paulo perder a hora e chegar ao açougue em que trabalhava com três horas de atraso. Motivo mais do que justo para seu Cláudio, o dono do estabelecimento, demiti-lo, sem dó nem piedade.

Tal acontecimento, porém, não afetou os ânimos de Zé Paulo, na verdade a forma como perdeu o emprego o impulsionou para um negócio visionário: vender despertadores populares (esses quadradinhos que se encontram nas lojas de R$1,99 por R$5,00.). Pensava ele: quantos cidadãos de bem, pais de família, trabalhadores honestos, como ele não perderam o emprego por uma momentânea queda de energia? Despertadores a pilha são a grande solução para esse mal, um verdadeiro negócio da China (embora sendo um produto made in Taiwan). Não pestanejou e logo pôs o projeto em prática. Com o dinheiro que recebera do fundo de garantia, comprou um lote de despertadores coloridos de um muambeiro e uma barraquinha de um vizinho que falira no ramo de perfumes franco-paraguaios. Quando estava com todo o material nas mãos, montou sua barraca bem em frente ao açougue em que trabalhava. Notem bem: não foi por maldade ou despeito que o novo camelô armou sua tenda ali, e sim por conveniência, já que trabalhara durante anos naquela região e conhecia a freguesia como ninguém.

Deu-se que em apenas alguns dias a barraca de Zé Paulo virou a coqueluche da região. Não por causa das suas vendas que, a bem da verdade, não eram muitas, mas por culpa daquele pi pi pi... pi! infernal que os relojinhos faziam o dia todo, deixando todos os comerciantes num stress só curável com litros e litros de maracugina diária.

Os lojistas tentaram de tudo pra tirar o camelô de lá, mas necas de conseguir. A barraca estava regular com a prefeitura e em relação ao som infernal, não havia lei do silêncio que o impedisse de fazer barulho que quisesse antes das 22h. Métodos mais agressivos, como uma boa surra, também não adiantavam pois Zé Paulo era capoeira e defendia seu estabelecimento na base de sopapos e rabos-de-arraia. Certo dia, porém, numa reunião dos comerciantes alguém levantou o problema e a possível solução: "Ele não era funcionário do açougue? Muito simples, seu Cláudio readmite o rapaz e fica tudo certo." Todos aclamaram a idéia de pé, menos o próprio açougueiro que era acima de tudo um rancoroso. Tiveram um trabalho danado pra convencê-lo e só conseguiram depois de lhe assegurar um cargo vitalício como conselheiro da Associação Comercial.

A proposta de readmissão ao Camelô era irrecusável: salário maior e estabilidade incondicional. A única exigência era que começasse imediatamente. Zé Paulo aceitou no ato. No dia seguinte, quando seu Cláudio chegou ao estabelecimento, já encontrou seu funcionário em pleno exercício de suas funções, porém, não deu nem cinco minutos e ouviu, vindo da rua, o primeiro "pipipi...pi!". Olhou para fora e qual não foi sua surpresa quando viu a barraca ali, firme e forte, nas mãos de um gaiato qualquer.

- Quem é esse? Perguntou o açougueiro já em quase surto de stress.

- Ah, é meu primo Zé Wilson. Ele está tomando conta do meu negócio. Puxa, seu Cláudio, com o aumento que o senhor me deu, vou aplicar nesse negocinho e você vai ver só se daqui a pouco não vou ter uma barrraquinha em cada esquina!

2 comentários:

Pedro disse...

ENTREI EM UMA COMUNIDADE CHAMADA "ADORO DAR O CÚ PARA UM TRAVESTI" SÓ PARA SACANEAR MINHA MULHER... MEUS AMIGOS VIRAM PRIMEIRO... FAZER O QUE???

Valdir Di Medori disse...

Mas isso lá é jeito de aporrinhar a cônjuge, rapaz? Sejes homem, cabra!