7 de fevereiro de 2011

Os criativos do botequim – No dia em que virei um nerd

- Se liga na idéia que tive pr’aquele comercial de TV por assinatura.
- Vamos continuar com o russo ou não?
- Não. Aquele ator calhorda está cobrando uma fábula. O cliente mandou cancelar.
- E qual é a idéia?
- A idéia é tratar a TV por assinatura como um clube restrito que, quando você entra você vira o produto.
- Entendi.
- É como torcer pra um time, ser maçom, crossdresser, essas coisas. É criar uma identidade social relacionada ao produto.
- Cheio das teorias da comunicação. Se você espirrar agora vai sair um McLuhan do seu nariz.
- Presta atenção. Aí a gente coloca um músico tocando um som cult, mostrando os benefícios da TV. Pensei até num refrão mais ou menos assim (canta) “no dia, em que eu virei um...”
- Para, cara, para. Ninguém vai entender. Parece que você está cantando: “No dia em que eu virei um nerd!”.
- Mas é isso mesmo que eu quero! O duplo sentido. Ser nerd, hoje em dia, é bom.
- Tá, a gente pode até usar esse refrão, mas qual seria o diferencial do produto?
- O diferencial é o seguinte: os técnicos da net colocam meia pra entrar na casa do cliente.
- Como é que é?
- É isso aí. Os técnicos colocam uma meinha por cima do sapato pra não sujar o tapete dos caras.
-  Que bosta de diferencial é esse?
- Parece que andaram reclamando que os técnicos emporcalhavam tudo com aquelas botinas e agora eles tem que usar uma meinha pra entrar nas casas.
- Cara, eu jamais deixaria um sujeito entrar de meinha na minha casa.
- Por quê?
- Ah, pelo amor de Deus. Não sei por quê. Mas eu não deixava.
- Isso é com você... E aí, fechamos nessa?
- Se você conseguir um jingle que explique essa porra da meinha e ainda colocar esse refrão ridículo que você criou, eu te paga uma garrafa de Red Label e mais duas pingas com limão. No ato em cash.
- Então pode preparar o bolso que amanhã essas bebidas vão estar todas aqui, no meio da mesa.
 
Pra pagar a aposta, compare.  

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